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Vale a Pena Monitorar Lagarta Desfolhadora do Eucalipto?

Dentre os grupos de insetos pragas que atacam eucalipto, os insetos pertencentes a Ordem Lepidoptera possuem um espaço significativo neste cenário, contando com mais de 20 espécies de lagartas com potencial de ataque. Entre as principais lagartas desfolhadoras de ocorrência geral no Brasil, temos a Thyrinteina arnobia (Stoll, 1782) (Lepidoptera: Geometridae), conhecida popularmente como lagarta parda do eucalipto ou mede palmo do eucalipto. É um inseto que apresenta um potencial reprodutivo alto, sendo que uma fêmea pode gerar mais de 1200 ovos por ciclo. A ocorrência inicial em plantios comerciais de eucalipto inicia-se entre o segundo e terceiro ano de implantação, com focos em reboleiras. Ao passar da segunda para a terceira geração do inseto, observamos uma distribuição populacional uniforme, realizada pela mariposa, com concentrações de injúrias em alguns focos e progressão a desfolha de 100%. Denominamos a injúria como folhas mastigadas pela lagarta na copa da planta. Seus danos são caracterizados em função do objetivo final do uso da madeira, mas normalmente medidos pelo volume de desfalque, que pode chegar a perdas de até 30% do volume do Incremento Médio Anual – IMA. Outros danos podem ser relacionados a disuniformidade da área, bifurcação, morte de plantas e tempo de recuperação da área atacada.

Atualmente a MIP Florestal, vem trabalhando com monitoramento e detecção inicial, seguindo processos de diagnóstico de lagarta, distribuição na área e tomada de decisão em função do monitoramento com auxílio de imagens de satélites, patrulhamento em campo, amostragem de excremento e armadilhas luminosas.

Como resultados de imagens de satélite, conseguimos diferenciar rapidamente os focos com injúrias nas plantas em grandes áreas, chegando a processar mais de 20 mil hectares por dia. Em relação ao patrulhamento, ele serve para distinguir a fase do ciclo biológico do inseto em campo, juntamente com a amostragens de excrementos e armadilhas luminosas. Assim conseguimos definir os talhões a serem manejados no período certo e posicionar as diferentes estratégias de manejo.

Como exemplo, monitoramos algumas áreas de clientes no Estado do Mato Grosso do Sul, e como resultados, conseguimos ter um controle de acima de 90% de eficiência na área, descaracterizando o inseto como praga. Nestes clientes, utilizamos duas estratégias de Manejo Integrado de Praga para controle, a primeira foi utilizar produtos que reduzissem a população de lagarta de forma pulverizada com avião e a segunda como complemento, a utilização de parasitoides de pupas, no qual foi feito a liberação conforme cronograma definido em função do ciclo biológico do inseto estabelecido pelo monitoramento. Em relação aos custos de manejo, quando comparado ao monitoramento como estratégia, os resultados mostraram que ele custa 2,30% da composição da calda, compra de inimigo natural, aplicação com avião e liberação do parasitoide.

Em outro cliente no Estado de São Paulo, monitoramos a área da fazenda e por ocorrência natural de inimigos naturais, não foi necessário realizar nenhuma intervenção de controle.

Podemos concluir que sim, vale a pena monitorar lagarta desfolhadora do eucalipto. Afinal o monitoramento mostra como resultado uma visão atual da situação, na qual conseguimos planejar todas as atividades financeiras e operacionais da área.